Família de empresária morta após cirurgia em Tangará da Serra afirma que procedimento era por necessidade de saúde

Família de empresária morta após cirurgia em Tangará da Serra afirma que procedimento era por necessidade de saúde

A família da empresária Jéssica Santiago busca esclarecer as circunstâncias que levaram ao seu falecimento após um procedimento cirúrgico em Tangará da Serra. Em declarações recentes, Yasmin Souza Menezes, filha da vítima, enfatizou que a intervenção médica não possuía motivações puramente estéticas, mas sim funcionais. Segundo Yasmin, a mãe sofria com complicações decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada em 2020, que resultou em excesso de pele e nódulos dolorosos que inflamavam constantemente. "Ela ia reabrir novamente e tirar os nódulos das pernas, e ia aproveitar a anestesia para fazer a lipo. Então, não era por beleza, e sim por necessidade", explicou a jovem.

O caso tomou novos rumos jurídicos nesta semana com o indiciamento de dois médicos pela Polícia Civil, sob suspeita de homicídio culposo. De acordo com o inquérito policial, laudos necroscópicos e periciais da Politec apontaram que a causa do óbito foi um pneumotórax bilateral. A condição teria sido provocada por uma perfuração na parede torácica, lesão esta que a perícia considera compatível com o uso de instrumentos cirúrgicos durante a operação. Em contrapartida, os médicos envolvidos negam erro profissional, sugerindo em depoimento que as lesões poderiam ter ocorrido durante as manobras de reanimação da paciente.

Paralelamente à investigação policial, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar possíveis infrações ao Código de Ética Médica. O procedimento administrativo corre sob sigilo. Enquanto o processo avança no Ministério Público, a família relembra a trajetória de Jéssica, descrita como uma mulher batalhadora que conciliou a carreira de professora — inclusive em comunidades indígenas — com o empreendedorismo, fundando uma loja de roupas de sucesso em Pontes e Lacerda.

O legado de Jéssica agora impulsiona os sonhos da filha. Yasmin planeja manter o negócio da família enquanto se prepara para cursar Odontologia na capital, Cuiabá. "Era o sonho da minha mãe me ver formada", afirmou a jovem. O caso segue sob análise das autoridades judiciais, que devem decidir sobre as medidas cabíveis com base nas provas técnicas apresentadas pela Polícia Civil sobre o nexo causal entre o ato cirúrgico e o comprometimento respiratório que levou à morte da empresária.

Fonte: G1 Mato Grosso

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