Família de advogado assassinado em Cuiabá relata insegurança durante início de julgamento de executor

O julgamento de um dos acusados de executar o advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, teve início nesta quarta-feira (15), em Cuiabá, sob forte comoção e um persistente sentimento de insegurança por parte dos familiares da vítima. Lívia Nery, filha do jurista, prestou depoimento como testemunha de acusação e relatou o clima de apreensão que domina a família desde o crime, ocorrido há cerca de dois anos.
Durante sua fala à imprensa, Lívia destacou que a rotina dos familiares foi drasticamente alterada pelo medo, especialmente após a descoberta do suposto envolvimento de agentes de segurança pública no planejamento do homicídio. "Ficamos por meses sem saber sobre a nossa vida. No início, isso foi realmente desesperador. Quando descobrimos envolvimento da polícia no meio também foi muito complicado [...] acreditamos que essa real tranquilidade vai vir mesmo depois que finalizar todos os julgamentos, na hora que a gente vê que isso terminou", desabafou.
A motivação do crime, segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, estaria vinculada a uma disputa judicial de terras em Novo São Joaquim, envolvendo uma área superior a 12 mil hectares. O Ministério Público sustenta que o assassinato foi encomendado pelo casal César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, que teriam desembolsado R$ 200 mil pela execução. O esquema contou com a participação de intermediários, incluindo policiais militares, que teriam articulado a logística e o fornecimento da arma.
Renato Nery foi atingido por disparos de arma de fogo em julho de 2024, no momento em que chegava ao seu escritório na capital mato-grossense. O atirador, identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, o aguardava no local e fugiu em uma motocicleta logo após o ataque. O advogado não resistiu aos ferimentos e faleceu um dia depois.
As investigações avançaram significativamente com a quebra de sigilo bancário dos envolvidos, permitindo o rastreamento de R$ 215 mil utilizados para financiar o crime. O fluxo financeiro revelou transferências fracionadas e o uso de contas de terceiros para ocultar a origem ilícita dos valores. Para a família, o julgamento representa o início de um ciclo de justiça. "Na semana passada, completou dois anos da morte do meu pai, então de alguma forma agora a justiça está sendo feita", concluiu Lívia.
Fonte: G1 Mato Grosso
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