Família contesta investigação e sepulta advogada 11 meses após morte em Cuiabá

Após um hiato de 11 meses marcado por intensas batalhas judiciais e questionamentos periciais, a família da advogada Viviane de Souza Fidelis, de 30 anos, realizou o seu sepultamento na última quarta-feira (5), em Cuiabá. O caso, que tramita sob forte contestação familiar, traz à tona debates sobre os protocolos de investigação em mortes de mulheres e a preservação de cenas de crime.
Viviane foi encontrada sem vida em setembro de 2023, em seu apartamento no Residencial Acácia, localizado no bairro Bosque da Saúde. Desde o início, a natureza da morte tem sido o ponto central da discórdia. Embora a Polícia Civil tenha concluído o inquérito apontando para a hipótese de suicídio, a mãe da vítima, a também advogada Sheyla Regina Barros de Souza, contesta veementemente o resultado. Segundo Sheyla, a classificação inicial impediu que o caso fosse tratado com o rigor necessário. "Era para ser inicialmente investigada como feminicídio. O caso da minha filha foi classificado como suicídio e só mudou porque eu fui atrás", declarou.
A família aponta diversas inconsistências no trabalho pericial. Entre as reclamações estão a suposta falha na coleta de vestígios e a alteração da cena antes da chegada da perícia oficial. De acordo com relatos da mãe, o corpo e o objeto relacionado ao óbito já haviam sido movidos de suas posições originais. Além disso, uma segunda necrópsia teria identificado hematomas na cabeça e nas costas da advogada, cujos laudos foram considerados inconclusivos, aumentando a angústia dos familiares. "São inúmeras pontas soltas que não foram consideradas. A investigação acabou se concentrando nas mensagens depressivas encontradas no celular", afirmou Sheyla.
Por outro lado, a Polícia Civil defende o trabalho realizado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmando que foram executadas oitivas, análises de dados telemáticos e exames complementares que descartaram a participação de terceiros. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que decidirá pelo arquivamento ou pela solicitação de novas diligências.
O momento do último adeus foi permeado por dor e indignação. Sheyla relatou que não teve permissão para realizar o reconhecimento pessoal do corpo antes do fechamento do caixão, o que gerou ainda mais sofrimento. "Eu tive que ser advogada do caso da minha própria filha. Tive que analisar fotos, laudos e apontar erros. Tudo isso enquanto era mãe e tentava lidar com a perda", desabafou. O caso segue sob análise das autoridades competentes.
Fonte: G1 Mato Grosso
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