Exemplo de superação: Onça-parda retorna à natureza em Mato Grosso após nove meses de tratamento

Após um rigoroso processo de reabilitação que durou cerca de nove meses, uma onça-parda macho, carinhosamente batizada de Guaraná, retornou ao seu habitat natural na última semana. O animal foi solto na Reserva São Francisco do Perigara, localizada em Barão de Melgaço, região pantaneira de Mato Grosso. O felino havia sido resgatado em estado crítico no final de 2025 e, agora, plenamente recuperado, passa a ser monitorado pela equipe do Onçafari para assegurar sua readaptação.
O resgate ocorreu durante atividades de monitoramento de rotina, quando a equipe identificou que o animal apresentava um quadro severo de debilidade. Segundo Marcos Lages, veterinário e coordenador da base do Onçafari na reserva, o quadro clínico inicial era alarmante. "Ele estava muito debilitado, desidratado, desnutrido, apático e estava com alguns dentes quebrados. A recuperação foi longa, ficou cerca de 9 meses sob cuidados das instituições envolvidas (como o Onçafari, SEMA e o CRAS). Nesse tempo ele ganhou peso, realizou exames e tratamentos. Ele ganhou mais de 15kg até estar apto para a soltura", relatou o especialista.
A jornada de recuperação de Guaraná envolveu um esforço conjunto entre diferentes órgãos ambientais. Inicialmente, o felino recebeu os primeiros socorros na Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), em Cuiabá. Posteriormente, foi transferido para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) em Campo Grande (MS), onde concluiu o tratamento especializado. A autorização para a soltura dependeu de uma avaliação criteriosa que confirmou não apenas a saúde física, mas também a manutenção dos instintos de caça, essenciais para a sobrevivência autônoma.
Para garantir o sucesso da reintrodução, Guaraná foi equipado com um colar de monitoramento via GPS e VHF, permitindo o rastreamento em tempo real de seus deslocamentos. Além disso, a reserva conta com mais de 40 armadilhas fotográficas e rondas periódicas. "Os pontos GPS são registrados por satélites e enviados pro nosso banco de dados. Pelo sinal VHF do colar, com uma antena e um receptor, conseguimos sintonizar a frequência do colar e rastrear o animal em campo", explicou Lages. Até o momento, o comportamento do felino tem sido considerado exemplar, demonstrando atividade constante e o esperado distanciamento de áreas ocupadas por humanos.
A onça-parda é o segundo maior felino das Américas e desempenha um papel ecológico fundamental. Embora seja altamente adaptável, a espécie enfrenta ameaças constantes, como a fragmentação de habitat e a caça. A soltura de Guaraná, o primeiro animal a passar por esse processo na Reserva São Francisco do Perigara, representa um marco importante para a conservação da fauna silvestre no estado de Mato Grosso.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT