Ex-servidora da Câmara de Barra do Bugres aciona Justiça para retomar cargo após polêmica envolvendo vereador

Uma ex-servidora da Câmara Municipal de Barra do Bugres recorreu ao Poder Judiciário nesta segunda-feira (13) com o objetivo de anular sua exoneração e ser reintegrada ao cargo de Coordenadora Administrativa. O pedido ocorre após uma série de eventos envolvendo o vereador Laércio Norberto Júnior, conhecido como Júnior Chaveiro, que foi investigado por suspeita de violência doméstica contra a ex-funcionária em abril deste ano. A autora da ação alega que sua demissão, ocorrida em 1º de junho, possui contornos de retaliação após ela ter solicitado a revogação de uma medida protetiva contra o parlamentar.
O imbróglio teve início no final de abril, quando a servidora, que ocupava o posto administrativo desde fevereiro de 2023, denunciou o vereador por agressão. Na ocasião, o parlamentar chegou a ser preso após se apresentar à delegacia. Segundo o delegado Fernando Marques, os fatos teriam ocorrido na residência do vereador, onde, conforme o depoimento da vítima, ele teria utilizado uma chave de rodas para atacá-la. Apesar da gravidade da denúncia e da continuidade da investigação criminal, a servidora optou, posteriormente, por retirar a medida protetiva que impedia a aproximação do investigado.
No processo protocolado agora, a ex-servidora afirma que sofreu pressão interna no Legislativo municipal. Ela relata que foi questionada por colegas de trabalho sobre a decisão de arquivar a proteção judicial e sustenta que a atual presidência da Câmara teria condicionado sua permanência no cargo à manutenção da medida protetiva. Diante de sua recusa em manter a restrição judicial, a exoneração foi oficializada cerca de um mês após a mudança no status da proteção.
À época do ocorrido, o vereador Laércio Norberto Júnior negou veementemente as acusações de violência doméstica, alegando que agiu em legítima defesa e que provaria sua inocência perante a Justiça. O episódio gerou repercussão política imediata, levando o Partido Liberal (PL) e a própria Câmara Municipal a decidirem pelo afastamento do parlamentar. Além disso, a legenda partidária instaurou um processo interno disciplinar que pode culminar em sua expulsão definitiva.
Até o momento, a presidência da Câmara Municipal de Barra do Bugres não se manifestou oficialmente sobre os motivos técnicos que levaram à demissão da coordenadora. O caso agora aguarda uma definição judicial para determinar se houve irregularidade no ato administrativo de exoneração e se a servidora possui o direito de retornar às suas funções públicas.
Fonte: G1 Mato Grosso
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