Ex-secretário adjunto de Mato Grosso é indiciado pela Polícia Civil por importunação sexual contra servidora

A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito e indiciou o ex-secretário-adjunto da Casa Civil, Leomindo de Arruda Maciel Júnior, pelo crime de importunação sexual contra uma servidora pública. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, resultou no relatório final assinado pela delegada Vanessa Aguiar da Cunha Garcez. Em resposta ao ocorrido, o Governo do Estado, por meio da Casa Civil, informou que o investigado já não compõe o quadro de servidores estaduais e que sua exoneração será oficializada em edição extra do Diário Oficial.
De acordo com o depoimento da vítima, que ingressou no setor em setembro de 2023, os episódios de assédio teriam se iniciado em dezembro do mesmo ano. A denunciante relatou que, durante um evento, o suspeito manifestou interesse pessoal e chegou a oferecer vantagens financeiras indevidas, mencionando repasses de "gordurinha de contrato" em troca de um relacionamento. As investidas evoluíram para o envio de mensagens de cunho pessoal fora do horário de expediente, comentários inapropriados sobre a aparência física da servidora e abordagens sobre temas íntimos, gerando um ambiente de profundo constrangimento.
O relato detalha ainda que, após a servidora recusar e devolver um presente deixado em sua bolsa pelo então secretário, ela passou a sofrer retaliações profissionais. Segundo a vítima, houve um aumento deliberado na carga de trabalho, seguido pela sua exclusão das escalas de eventos oficiais. Além disso, o indiciado teria espalhado rumores falsos sobre a existência de um vínculo afetivo entre ambos. Diante do isolamento e da falta de suporte interno para formalizar a queixa, a servidora registrou capturas de tela das conversas e buscou auxílio jurídico e policial, solicitando uma medida protetiva.
Em declaração emocionante, a vítima destacou o impacto psicológico sofrido: "Tenho pesadelos, faço acompanhamento psicológico pra tentar entender o porquê. [...] Como mulher cheguei a me sentir responsável pelas atitudes dele, mas não posso me responsabilizar pelo caráter assediador do outro. Não quero que nenhuma mulher passe pelo que passei e estou passando". Ela reforçou o desejo de que a justiça seja feita para que cargos de poder não silenciem vozes femininas. O processo agora segue para o Poder Judiciário e tramita sob sigilo no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, em Cuiabá.
Fonte: G1 Mato Grosso
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