Estudo revela que Cuiabá perdeu 52% das áreas verdes urbanas em quatro décadas

Um estudo detalhado realizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) revelou dados alarmantes sobre a degradação ambiental em Cuiabá. Entre os anos de 1988 e 2017, a capital mato-grossense perdeu aproximadamente 55.763 hectares de sua vegetação nativa, o que representa uma redução de 17% da cobertura vegetal total do município. O levantamento aponta que a expansão urbana desordenada e grandes intervenções de infraestrutura são os principais vetores desse aquecimento progressivo da cidade.
De acordo com a professora Flávia Maria de Moura Santos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFMT, a supressão arbórea em regiões de clima tropical como Cuiabá impacta severamente o bem-estar da população. "A vegetação contribui de forma direta para a redução da temperatura do ar. Primeiro pelo sombreamento e também por meio da evapotranspiração, que ajuda a aumentar a umidade e torna o clima menos seco", explicou a especialista. A substituição do solo natural por asfalto e concreto cria as chamadas "ilhas de calor", pois esses materiais retêm energia térmica e a liberam gradualmente para a atmosfera.
O coordenador do ICV, Vinícius Silgueiro, destacou que o impacto é ainda mais severo quando analisada apenas a zona urbana. Nos últimos 40 anos, a cidade perdeu 52% de suas áreas verdes internas. Um dos pontos críticos mencionados foi a tentativa de implementação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto remanescente da Copa de 2014, que resultou na retirada de 2.500 árvores sem que o modal fosse concluído. Atualmente, a responsabilidade pela compensação ambiental e replantio no novo projeto do BRT está sob supervisão da Sinfra-MT e da Sema-MT.
Além das obras de mobilidade, a abertura da Avenida das Torres e a ocupação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens do Rio Cuiabá foram identificadas como fatores determinantes para a perda de biodiversidade. Especialistas reforçam que o reflorestamento deve ser planejado com espécies nativas que ofereçam sombra real, evitando o uso meramente paisagístico de palmeiras, que pouco contribuem para o conforto térmico.
Em resposta aos desafios ambientais, o Governo de Mato Grosso lançou um guia técnico para identificação de espécies arbóreas, visando qualificar o manejo florestal e a segurança no setor. Paralelamente, casos recentes de supressão de árvores em bairros tradicionais, como o Bandeirantes, têm gerado debate público sobre a necessidade de rigor nas autorizações de corte e na efetividade das medidas compensatórias de replantio imediato.
Fonte: G1 Mato Grosso
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