Estudo científico detecta 14 tipos de poluentes em rios do Pantanal e alerta para riscos ambientais

Uma investigação científica conjunta entre pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e especialistas de uma instituição de ensino superior da Colômbia revelou a presença de 14 tipos distintos de poluentes nas águas do Pantanal mato-grossense. O estudo, iniciado em abril de 2024, acende um sinal de alerta para a preservação ambiental e a saúde pública, fornecendo dados inéditos que servirão de base para o monitoramento da qualidade hídrica no bioma.
A coleta de amostras foi realizada em seis pontos estratégicos ao longo dos rios Paraguai, Cuiabá e São Lourenço. Durante as análises laboratoriais, os cientistas detectaram uma mistura complexa de substâncias, que incluem medicamentos, hormônios, itens de higiene pessoal, resíduos industriais, pesticidas e microplásticos. Entre os compostos específicos identificados estão hormônios como progesterona, estradiol e testosterona; fármacos anti-inflamatórios, a exemplo do diclofenaco e ibuprofeno; além de cafeína e diversos tipos de defensivos agrícolas, como herbicidas, fungicidas e inseticidas.
O relatório técnico aponta consequências graves para o ecossistema local. No Rio Cuiabá, a concentração de resíduos medicamentosos foi classificada como potencialmente tóxica para algas, moluscos e diversas espécies de peixes. Já os pesticidas representam uma ameaça direta à biodiversidade, podendo ocasionar danos neurológicos em peixes e abelhas, o que compromete o equilíbrio biológico da região. Um dado relevante da pesquisa é a alta incidência de cafeína em perímetros urbanos, o que, segundo os pesquisadores, "indica que a contaminação é proveniente da rede de esgotos domésticos".
Um dos principais desafios destacados pelo grupo de estudo é a insuficiência dos métodos convencionais de tratamento de esgoto, que muitas vezes não conseguem remover completamente esses contaminantes emergentes. Com o tempo, mesmo em doses reduzidas, essas substâncias podem se acumular e gerar impactos ambientais profundos. Como medida mitigadora, os pesquisadores estão testando sistemas naturais de tratamento. Uma estação experimental em Cáceres já apresentou resultados promissores, e a expectativa é que essa tecnologia possa ser expandida para outros municípios do estado, visando a redução efetiva desses poluentes nos corpos hídricos.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT