Estudantes ocupam reitoria da UFMT e exigem expulsão de alunos envolvidos em lista de violência de gênero

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizaram uma mobilização expressiva nesta quinta-feira (21), culminando na ocupação da reitoria da instituição. O protesto teve como pauta central a exigência de expulsão imediata de dois alunos investigados pela criação de uma lista que classificava estudantes do campus como "estupráveis". O movimento, organizado pelo Movimento Correnteza com o apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário, busca pressionar a administração universitária por medidas mais severas contra a misoginia e a violência de gênero no ambiente acadêmico.
O caso, que gerou indignação na comunidade acadêmica e na sociedade mato-grossense, resultou anteriormente no afastamento preventivo de dois estudantes e na suspensão temporária das aulas presenciais no curso de Engenharia Civil. Esta medida extrema foi adotada após relatos de que o pai de um dos investigados teria proferido ameaças contra alunos dentro das dependências da universidade. Durante o ato desta quinta-feira, os manifestantes cobraram maior agilidade nos processos administrativos e criticaram o que consideram uma falta de urgência por parte da reitoria no tratamento do episódio.
Em resposta à pressão do movimento estudantil, o vice-reitor reuniu-se com os manifestantes. De acordo com os líderes do protesto, a administração central da UFMT comprometeu-se a discutir melhorias estruturais urgentes, incluindo o reforço na iluminação do campus e a ampliação do sistema de monitoramento por câmeras. Além disso, foi proposta a criação de uma comissão permanente para debater a segurança e o enfrentamento à violência contra a mulher, com a possibilidade de implementação de aulas obrigatórias sobre conscientização contra a misoginia.
No âmbito jurídico, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) estabeleceu um prazo de cinco dias para que a universidade detalhe as providências internas tomadas. O órgão instaurou um procedimento administrativo para investigar possíveis crimes após o vazamento de mensagens que detalhavam intenções de abuso sexual contra colegas. Paralelamente, a Polícia Civil já identificou o suspeito de realizar ameaças no campus, que deverá prestar depoimento em breve. Uma reunião oficial entre os estudantes e a reitoria está agendada para esta sexta-feira (22) para dar continuidade às negociações.
Fonte: G1 Mato Grosso
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