Estudantes da UFMT intensificam protestos e exigem expulsão de alunos por lista de conteúdo misógino

Estudantes da UFMT intensificam protestos e exigem expulsão de alunos por lista de conteúdo misógino

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) promoveram, nesta sexta-feira (29), uma nova mobilização para exigir a expulsão definitiva de dois alunos investigados pela criação de uma lista que classificava acadêmicas como “estupráveis”. O protesto, organizado pelo Movimento Correnteza com o apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário, percorreu as vias do entorno do campus em Cuiabá, reforçando o pedido por justiça e segurança no ambiente acadêmico.

A manifestação buscou pressionar a administração universitária por uma resposta rigorosa diante do caso de misoginia e violência simbólica. Em entrevista, a representante do coletivo Olga Benário, Rayssa Piovani, enfatizou que tais atos não podem ser minimizados. "Isso não é uma coisa tolerável. A violência contra as mulheres está tão naturalizada na sociedade que, para muitas pessoas, isso foi só uma brincadeira de mau gosto, é só um comentário infeliz. E não é só isso", declarou a ativista.

O movimento estudantil argumenta que a situação reflete um problema estrutural grave, citando os altos índices de feminicídio em Mato Grosso. Durante o ato, foi relembrado o trágico episódio de 2023, quando Solange Aparecida Sobrinho foi vítima de violência sexual e assassinada dentro das dependências da universidade. Para os manifestantes, a falta de punições severas para ataques verbais ou digitais abre precedentes para crimes mais graves. "Quando a gente vai perdoando, relativizando, naturalizando essas violências simbólicas, a gente abre um caminho cada vez mais largo para que isso se aprofunde e escale em níveis imensuráveis", destacou Piovani.

Além da expulsão dos envolvidos, os estudantes cobram celeridade nos processos administrativos, criticando o que chamam de "respostas burocráticas". Recentemente, a tensão no campus aumentou após o pai de um dos investigados proferir ameaças contra alunos, o que levou à suspensão temporária das aulas presenciais no curso de Engenharia Civil.

Em reuniões recentes com a reitoria, a administração da UFMT comprometeu-se a discutir melhorias na infraestrutura, como o reforço na iluminação e monitoramento do campus, além de criar uma comissão específica para debater a segurança e o enfrentamento à violência contra a mulher. O Ministério Público de Mato Grosso também acompanha o caso de perto, tendo estipulado prazos para que a instituição detalhe as medidas internas adotadas contra os responsáveis pela lista.

Fonte: G1 Mato Grosso

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