Estratégia rara: Onça-pintada 'Ousado' mergulha para caçar capivara no Pantanal mato-grossense

Estratégia rara: Onça-pintada 'Ousado' mergulha para caçar capivara no Pantanal mato-grossense

Um registro impressionante da vida selvagem no Pantanal mato-grossense capturou o momento em que uma capivara conseguiu escapar ilesa de uma tentativa de predação por uma das onças-pintadas mais famosas da região. O felino, conhecido como Ousado, foi filmado utilizando uma tática de caça singular nas águas do Rio Três Irmãos, na localidade de Porto Jofre. O vídeo, que repercutiu nas redes sociais, demonstra a agilidade da presa e a inteligência estratégica do predador.

O flagrante foi realizado pelos guias de turismo Branco Arruda e Raquelle Saladin, que acompanhavam um grupo de visitantes estrangeiros. Nas imagens, é possível observar Ousado nadando de forma furtiva em direção à margem. Demonstrando um comportamento atípico para a espécie, o felino mergulha completamente, tentando surpreender a capivara por baixo da linha d'água. Contudo, o roedor percebe a movimentação no último instante e salta para o rio, frustrando a investida do predador.

A guia Raquelle Saladin, com quase duas décadas de experiência no bioma, destacou a emoção do momento. "O Ousado passou e ficamos acompanhando ele por um longo período. Quando a gente viu a capivara, já paramos para não atrapalhar ele, mas a capivara parece ter visto ele. Eu trabalho no Pantanal há 18 anos e ainda é indescritível a sensação de encontrar uma onça-pintada", relatou. Segundo especialistas, a técnica de mergulho profundo é uma marca registrada de Ousado, diferenciando-o de outros indivíduos da região.

Além da habilidade de caça, o animal chama a atenção por carregar um colar de monitoramento. Ousado tornou-se um símbolo de resiliência após sobreviver aos devastadores incêndios de 2020, quando foi resgatado com queimaduras graves. O equipamento, que deveria ter se soltado automaticamente após o período de estudos, permanece no animal devido a uma falha técnica no dispositivo de soltura.

De acordo com Fernando Tortato, coordenador da ONG Panthera, a decisão de manter o colar é baseada na segurança do felino. "O Ousado já é um animal idoso, com mais de 13 anos. Como o colar não provoca ferimentos nem interfere na vida dele, a decisão técnica, tomada em conjunto por várias instituições e especialistas, é não realizar uma captura apenas para remover o equipamento", explicou, ressaltando que os riscos de uma sedação em ambiente selvagem superam os benefícios da retirada do acessório.

Fonte: G1 Mato Grosso

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