Especialista destaca que sucesso da amamentação depende de aprendizado e suporte profissional

A amamentação, embora seja um processo biológico natural, demanda aprendizado mútuo entre mãe e filho, além de um suporte técnico e emocional robusto. Em entrevista ao Unicast, podcast da Unimed Cuiabá, a pediatra e neonatologista Dra. Elibene de Almeida Orro Junqueira detalhou os desafios e a importância vital do aleitamento materno, destacando que o sucesso dessa etapa não recai exclusivamente sobre a mulher, mas sobre toda a rede de apoio familiar e profissional.
Com uma trajetória de mais de três décadas na pediatria, a especialista esclarece que a habilidade de amamentar é desenvolvida gradualmente. "A gente pensa erroneamente que tanto a mãe quanto o bebê já sabem o que fazer. Na realidade, tanto a mãe quanto o bebê têm que aprender", pontuou a médica. Ela ressalta que o acompanhamento especializado é crucial para mitigar inseguranças geradas pelas oscilações hormonais do pós-parto e pela nova rotina doméstica.
Um dos pilares para o fortalecimento do vínculo é a "hora de ouro", o primeiro contato pele a pele logo após o nascimento. Segundo a Dra. Elibene, esse momento estimula a ocitocina, essencial para a ejeção do leite. Ela também enfatizou as propriedades do colostro, o primeiro leite produzido, que atua como uma vacina natural rica em anticorpos. Para bebês em UTIs Neonatais, o uso do leite materno é ainda mais crítico, sendo por vezes administrado via colostroterapia para garantir proteção imunológica.
A médica também desmistificou questões sobre dor e produção láctea. Ela afirma que o tamanho das mamas não influencia a quantidade de leite e que a dor não deve ser aceita como normal. "A regra de ouro é: pega adequada é aquela que não dói. Se doeu, está errado", orienta. A sucção correta, onde o bebê abocanha a maior parte da aréola, é o que garante a nutrição adequada e evita fissuras.
Sobre a continuidade do aleitamento após o retorno ao trabalho, a pediatra recomenda planejamento e ordenha, reforçando que o leite materno deve ser o único alimento até os seis meses de vida, dispensando inclusive água ou chás. Além dos benefícios nutricionais para a criança, a amamentação protege a saúde da mulher, reduzindo riscos de câncer de mama e de ovário, e auxiliando na recuperação uterina pós-parto. A rede de apoio, conclui a médica, deve focar em prover suporte logístico e emocional para que os pais possam consolidar esse vínculo afetivo fundamental.
Fonte: G1 Mato Grosso
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