Eficiência tecnológica faz produtividade da pecuária em Mato Grosso crescer 90% em 15 anos

Eficiência tecnológica faz produtividade da pecuária em Mato Grosso crescer 90% em 15 anos

O setor pecuário de Mato Grosso registrou um avanço histórico em sua eficiência produtiva nos últimos 15 anos, impulsionado pela modernização tecnológica e investimentos em infraestrutura no campo. De acordo com dados do Anuário Beef Report, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a produtividade da pecuária de corte no estado saltou 90,3% entre 2010 e 2025. O índice, que mede a quantidade de carcaça produzida por hectare, subiu de 60,66 kg para 115,42 kg, consolidando a transição para um modelo de alta performance.

Este crescimento expressivo coloca Mato Grosso em uma posição de destaque no cenário nacional, superando largamente a média brasileira de evolução, que foi de 49,8% no mesmo período. Enquanto o país passou de 51,6 para 77,3 quilos de carcaça por hectare, os produtores mato-grossenses praticamente dobraram sua capacidade produtiva. Atualmente, o estado ocupa a quinta posição no ranking nacional de produtividade, ficando atrás apenas de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rondônia.

O salto qualitativo é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo melhoramento genético, manejo intensivo de pastagens e nutrição animal de precisão. Para Alexandre El Hage, pecuarista e presidente da Nelore Mato Grosso, o setor vive um momento de transformação. "Nos últimos cinco anos demos uma 'virada de página', no melhoramento genético, na nutrição. Então foi um elo evolutivo, tanto na cria, quanto na recria, quanto na engorda. Isso é um marco muito forte na pecuária, mostrando que ainda podemos alcançar mais", pontua.

Além do volume produzido, a qualidade do produto final também apresentou melhorias significativas. Em Rondonópolis, o pecuarista Marco Túlio Duarte Soares observa que o perfil dos animais enviados ao frigorífico mudou drasticamente. "Os animais que estão sendo entregues hoje são mais jovens e melhores terminados por conta dessa evolução genética e também da eficiência do setor produtivo. Quando a gente olha 10 anos atrás, a gente tinha apenas 13% de animais abatidos com menos de 24 meses e hoje são 45%. O que está sendo colocado nas gôndolas para os consumidores são animais mais jovens, com melhor qualidade, o que é prova do ingresso da tecnologia na pecuária", explica Soares.

A intensificação da produção também reflete um compromisso com o desenvolvimento sustentável, permitindo o aumento da oferta de carne sem a necessidade de expansão de áreas de pastagem. Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), os resultados reforçam a competitividade do estado. "Os pecuaristas mato-grossenses vêm mostrando que é possível produzir mais utilizando melhor os recursos já disponíveis. Esses investimentos permitiram um expressivo ganho de produtividade, fortalecendo a competitividade nos mercados nacional e internacional", conclui.

Fonte: G1 Mato Grosso

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