Dom Wellington de Queiroz Vieira é nomeado novo arcebispo de Cuiabá e destaca diálogo como prioridade

A Arquidiocese de Cuiabá prepara-se para iniciar um novo capítulo em sua história institucional. Dom Wellington de Queiroz Vieira, de 58 anos, foi oficialmente nomeado pelo Papa como o novo arcebispo da capital mato-grossense. A notícia, embora oficializada nesta quarta-feira (14), já era de conhecimento do religioso há algumas semanas, após um anúncio que o surpreendeu durante uma videoconferência com o representante pontifício no Brasil.
Dom Queiroz, como é conhecido, exerce atualmente o episcopado em Cristalândia (TO). Em entrevista, o clérigo relatou o impacto emocional do anúncio, que ocorreu quando ele esperava tratar de temas administrativos rotineiros. "Me recordo que arregalei os olhos, coloquei a mão na boca e não sabia o que dizer. Realmente foi um susto naquele momento, ele pediu para eu me acalmar e eu disse 'sim, e vamos em frente'", relembrou o arcebispo nomeado.
Com uma trajetória acadêmica sólida, Dom Wellington é mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense e em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, ambas em Roma. Sua atuação destaca-se também no âmbito da proteção social, presidindo a Comissão Especial para a Proteção de Menores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nesta função, ele coordena a elaboração de diretrizes que visam garantir ambientes seguros para crianças e adultos vulneráveis em paróquias e comunidades.
Sobre sua futura gestão em Cuiabá, o religioso adotou uma postura de prudência e diálogo. Ele afirmou que não pretende chegar com projetos pré-estabelecidos, mas sim priorizar a escuta ativa da comunidade e do clero local. "Eu não chego com uma mala pronta com encaminhamentos, com decisões ou com projetos. Porque primeiro eu preciso conhecer, primeiro eu preciso ouvir e ver as expectativas das pessoas", declarou.
Dom Queiroz também abordou temas contemporâneos, como a polarização social e religiosa, defendendo a tolerância e o respeito mútuo. Segundo ele, a divergência de opiniões não deve ser encarada como hostilidade: "Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, não é alguém que não mereça o meu respeito".
A cerimônia de posse está prevista para ocorrer em novembro, em data a ser definida em conjunto com a administração da arquidiocese. Dom Wellington sucede Dom Mário Antônio da Silva, que foi transferido para a Arquidiocese de Aparecida (SP).
Fonte: G1 Mato Grosso
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