Divergência técnica marca investigação sobre suposta cocaína em carga de madeira na fronteira boliviana

Uma grande operação logística e policial na fronteira entre o Brasil e a Bolívia tornou-se centro de um impasse técnico e jurídico. A apreensão de 260 toneladas de madeira, realizada em junho sob a suspeita de conter cocaína diluída, está sendo contestada pela Polícia Boliviana. Enquanto as autoridades brasileiras aguardam laudos definitivos, o setor de importação relata prejuízos crescentes devido à retenção da carga.
O caso teve início em 21 de junho, durante a Operação Timber Shield, que envolveu a Receita Federal, a Polícia Federal e o Exército Brasileiro, com apoio de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia. Na ocasião, testes preliminares com reagentes químicos sugeriram que o entorpecente estaria impregnado nas fibras da madeira. Contudo, o comandante-geral da Polícia Boliviana, Mirko Sokol, afirmou recentemente que novas análises laboratoriais não confirmaram a presença de substâncias ilícitas. "As informações preliminares que temos sobre a análise laboratoriais sugerem que não há motivos para continuar esta investigação", declarou Sokol à imprensa local.
Do lado brasileiro, a Receita Federal mantém a carga retida em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), fundamentando a decisão na continuidade das investigações. A Polícia Federal estabeleceu o dia 31 de julho como prazo para a emissão do laudo pericial conclusivo. A complexidade do caso reside na técnica supostamente utilizada pelos traficantes: a cocaína estaria em estado líquido, exigindo um processo industrial caro e lento de imersão em reagentes para sua extração e pesagem.
Enquanto o veredito científico não é divulgado, as consequências econômicas são severas para os empresários do setor. Alessandro Castro, importador de madeira, destaca que a paralisação de quase 30 dias compromete o sustento de mais de 40 funcionários na Bolívia e afasta clientes. "Eu tô num prejuízo danado e nenhum órgão, nem a Receita Federal, nem a Polícia Federal se responsabiliza", desabafou.
A defesa dos importadores, representada pelo advogado Leandro Lobo, busca medidas judiciais para isentar os empresários dos custos de estadia dos caminhões, que podem chegar a R$ 44 mil por dia. Segundo o advogado, a intenção é ingressar com um mandado de segurança, visto que os proprietários da carga não deram causa à retenção prolongada. Até o momento, não houve prisões e os veículos foram liberados, permanecendo apenas o material lenhoso sob custódia estatal.
Fonte: G1 Mato Grosso
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