Divergência de dados: Campinápolis registra número de eleitores centenários cinco vezes maior que o total de residentes nessa faixa etária

O município de Campinápolis, localizado a 565 km da capital mato-grossense, apresenta uma disparidade estatística significativa que despertou a atenção das autoridades eleitorais. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2026 indicam que a cidade possui 224 eleitores com mais de 100 anos cadastrados, um contingente que representa 16,8% de todos os eleitores centenários de Mato Grosso. O número contrasta drasticamente com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contabilizou apenas 42 moradores nessa faixa etária na localidade.
Essa diferença de 182 pessoas — um volume de eleitores centenários cinco vezes maior do que a população real registrada pelo IBGE — coloca Campinápolis no topo do ranking estadual, superando com folga municípios maiores. Para efeito de comparação, a segunda cidade com mais eleitores nessa categoria é Juína, com 77 registros, seguida por Terra Nova do Norte (73) e São Félix do Araguaia (66). Curiosamente, grandes colégios eleitorais como Cuiabá e Rondonópolis possuem números muito inferiores, registrando 21 e 29 eleitores centenários, respectivamente.
Especialistas e estudos da Confederação Nacional de Municípios (CNM) sugerem que esse fenômeno em cidades de pequeno porte pode ser atribuído a diversos fatores. Entre as justificativas estão os fluxos migratórios, onde cidadãos se mudam por razões econômicas ou de saúde, mas mantêm o domicílio eleitoral na cidade natal. Além disso, falhas na comunicação de óbitos entre os cartórios de registro civil e a Justiça Eleitoral, bem como a ausência de atualização cadastral ou revisões de títulos antigos, contribuem para o desalinhamento dos dados.
A discrepância não se limita apenas aos idosos. O levantamento aponta que os 11.515 eleitores totais de Campinápolis representam cerca de 75% da sua população residente, estimada em 15.347 habitantes pelo IBGE. Enquanto o Censo mostra uma pirâmide etária decrescente — com 52 pessoas entre 90 e 94 anos e 37 entre 95 e 99 anos —, o cadastro do TSE inverte a lógica, apresentando o grupo de mais de 100 anos como o mais numeroso entre os idosos acima de 80 anos. No cenário nacional, o Brasil soma quase 298 mil eleitores centenários, com a maior concentração na região Sudeste, liderada pelo Rio de Janeiro.
Fonte: G1 Mato Grosso
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