Discussão sobre jornada de 26 horas para servidores da saúde gera polêmica em Cuiabá

Discussão sobre jornada de 26 horas para servidores da saúde gera polêmica em Cuiabá

Uma proposta que altera profundamente a jornada de trabalho dos servidores da saúde em Cuiabá tem gerado intensos debates na capital mato-grossense. O projeto em discussão sugere a implementação de plantões que podem atingir até 26 horas ininterruptas de serviço, além de prever uma escala de até 16 turnos mensais. A medida, que circulou em reuniões entre secretarias municipais, despertou preocupação imediata entre as categorias profissionais e entidades de classe, que veem riscos à saúde física e mental dos trabalhadores.

De acordo com o texto da minuta, as alterações no estatuto dos servidores criariam novos regimes de escala, como o sistema de 24 horas de trabalho por 48 horas de descanso (24x48). Com a previsão de até duas horas extras permitidas, a jornada contínua no local de trabalho poderia chegar a 26 ou até 27 horas. Além disso, para aqueles que adotarem a escala de 12x36 com carga horária mensal de 200 horas, a proposta prevê a realização de até 16 plantões em meses com 31 dias.

Em resposta à repercussão, a Prefeitura de Cuiabá esclareceu que a proposta em questão não será enviada à Câmara Municipal no formato atual. Segundo a gestão, o documento que circulou recentemente foi descartado e não passou por análise ou validação do gabinete do prefeito. Em nota oficial, a administração informou que o projeto é remanescente de estudos da gestão anterior e visa subsidiar uma legislação mais uniforme, seguindo orientações da Procuradoria do Município.

"Não houve qualquer decisão, alteração ou imposição de mudanças no regime de plantão. O procedimento consiste exclusivamente na coleta de dados e sugestões, respeitando as especificidades de cada área, especialmente aquelas que já atuam com plantões, como saúde, educação e assistência social", afirmou a pasta em comunicado oficial.

Por outro lado, o Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Cuiabá (Sispumc) manifestou forte oposição à medida. O presidente da entidade, Renaudt Tedesco, classificou a proposta como uma forma de "superexploração" e criticou o aumento da carga horária sem a devida contrapartida salarial. Em suas palavras: "O Abílio tá querendo legislar super exploração do servidor. Ele está querendo normalizar o aumento da carga de trabalho, normalizar o cansaço, normalizar a exploração. Para ele você tem que ganhar menos, trabalhar mais e ficar quieto. Mas nós não vamos aceitar".

Este novo embate ocorre em um contexto de tensões prévias, como a disputa judicial iniciada em março sobre o adicional de insalubridade, onde o sindicato busca impedir cortes salariais baseados em novos laudos técnicos elaborados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Fonte: G1 Mato Grosso

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