Desigualdade salarial em Mato Grosso: Mulheres recebem 28,4% menos que homens, aponta relatório

Um novo levantamento detalhado pelo Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado nesta segunda-feira (27), revelou que a disparidade na remuneração entre gêneros permanece um desafio estrutural em Mato Grosso. De acordo com os dados, as mulheres residentes no estado recebem, em média, 28,4% a menos do que os homens. O estudo concentrou-se em organizações de grande porte, que possuem 100 ou mais colaboradores em seus quadros de funcionários.
Os números referentes a dezembro de 2025 indicam que Mato Grosso contava com 912 empresas desse perfil. Nestas instituições, a força de trabalho feminina somava 95,6 mil postos ocupados, distribuídos entre 71 mil mulheres negras e 24,6 mil mulheres não negras. Em contrapartida, a presença masculina nessas mesmas empresas era significativamente superior, totalizando 163,4 mil trabalhadores.
A análise estatística evidencia a persistência da desigualdade mesmo com a crescente inserção feminina no mercado formal. Em termos monetários, enquanto a remuneração média das mulheres em Mato Grosso foi calculada em R$ 3.101,01, os homens alcançaram um rendimento médio de R$ 4.332,88. O relatório destaca que esse abismo salarial é acentuado por recortes raciais, demonstrando que o fator étnico atua como um agravante adicional na composição das rendas.
Especialistas responsáveis pelo relatório enfatizam que o combate a esse cenário exige o fortalecimento de políticas públicas e a adoção de medidas internas mais rigorosas por parte da iniciativa privada. A desigualdade não se restringe apenas ao contracheque, mas reflete disparidades nas condições de trabalho e, principalmente, nas oportunidades reais de ascensão profissional e progressão de carreira para o público feminino.
No âmbito nacional, o panorama também registrou retrocessos. A média brasileira de desigualdade salarial em empresas do setor privado subiu de 20,7% em 2023 para 21,3% em 2025. Paradoxalmente, o volume de contratações de mulheres cresceu 11% no país no mesmo período, saltando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras. O avanço mais expressivo foi observado entre as mulheres negras, cuja presença no mercado formal saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, representando uma alta de 29%, embora a equiparação salarial ainda não tenha acompanhado esse crescimento de ocupação.
Fonte: G1 Mato Grosso
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