Defesa de investigado apresenta laudo médico para contestar entendimento do STF sobre estado de saúde no cárcere

Defesa de investigado apresenta laudo médico para contestar entendimento do STF sobre estado de saúde no cárcere

A defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por suposta participação em um esquema de venda de sentenças judiciais, apresentou um laudo médico particular para contestar a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre seu estado de saúde. O documento técnico visa refutar a tese de que o lobista teria simulado um quadro de inanição voluntária durante seu período de detenção.

De acordo com o laudo apresentado pelos advogados, a perda de aproximadamente 30 quilos em oito meses de cárcere não foi um ato deliberado, mas sim o resultado do "estresse do encarceramento" somado a patologias pré-existentes. A manifestação surge após relatórios da Polícia Penal sugerirem que o investigado estaria descartando alimentos no vaso sanitário da Penitenciária Federal de Brasília para induzir uma condição de debilidade e, assim, obter benefícios processuais.

A defesa nega veementemente as acusações de simulação, ressaltando que Andreson é portador de diabetes e de uma doença neurológica. "Hoje, mesmo sob monitoramento e se alimentando regularmente, ele continua perdendo peso de forma progressiva", afirmaram os representantes legais em nota. O laudo sustenta que o quadro clínico é complexo, destacando que o paciente é submetido a um histórico de cirurgia bariátrica e necessita de acompanhamento multidisciplinar contínuo.

Anteriormente, o ministro Cristiano Zanin, do STF, havia mantido a prisão em regime de segurança máxima, observando que o investigado recuperou 13 quilos em apenas três meses quando esteve fora do sistema prisional. Para a Corte, tal recuperação enfraqueceria a tese de uma doença grave incurável. Contudo, a defesa argumenta que a melhora funcional fora da prisão deveu-se a uma "dieta hipercalórica e fracionada, suplementação e fisioterapia", condições que não seriam plenamente replicadas no ambiente institucional.

Andreson de Oliveira Gonçalves é peça central nas investigações das Operações Ultima Ratio e Sisamnes. O inquérito aponta que ele utilizaria uma empresa de transportes para lavar capitais oriundos de decisões judiciais negociadas. As investigações ganharam força após a análise de dados do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, o que levou ao afastamento de magistrados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O caso segue sob análise do Poder Judiciário, enquanto a defesa insiste na vulnerabilidade clínica do custodiado.

Fonte: G1 Mato Grosso

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