Debate sobre o fim da escala 6x1 divide opiniões entre setor produtivo e trabalhadores em Mato Grosso

Debate sobre o fim da escala 6x1 divide opiniões entre setor produtivo e trabalhadores em Mato Grosso

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou força em Mato Grosso, mobilizando trabalhadores, empresários e representantes sindicais em torno de uma possível reforma na jornada laboral. A proposta central, que tramita no Congresso Nacional, visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo um modelo de cinco dias de trabalho para dois de descanso, sem que haja redução nos salários vigentes.

Para os trabalhadores que vivenciam a rotina de seis dias trabalhados para apenas um de folga, a mudança é vista como uma necessidade humanitária. Relatos colhidos em Cuiabá apontam que o único dia de descanso é frequentemente consumido por tarefas domésticas e cansaço físico extremo. Marli Nato Ferreira, analista comercial de 34 anos, enfatiza os danos à saúde: "A sobrecarga de trabalho é prejudicial à saúde física e emocional, provoca desgaste e pouca qualidade de vida", afirmou. Jovens trabalhadoras do setor de comércio também destacam a dificuldade de conciliar a jornada com os estudos acadêmicos e o lazer.

Pelo viés econômico, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (FACMAT) manifestou preocupação. O presidente da entidade, Jonas Alves, argumentou em nota que a redução da jornada sem medidas compensatórias pode elevar custos e prejudicar a competitividade. "A simples redução da jornada de trabalho, sem análise ampla dos impactos econômicos, sociais e regionais que isso pode causar, definitivamente não é a solução", declarou. No mesmo sentido, a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) estima que o impacto na folha de pagamento do setor produtivo pode variar entre R$ 3,4 bilhões e R$ 5,1 bilhões para manter os níveis atuais de produção.

Por outro lado, o Sebrae aponta que 47% dos micro e pequenos empresários não preveem impactos negativos em seus negócios com a mudança. O presidente do Sindicato do Comércio de Cuiabá, Olavo Dourado Boa Sorte Filho, defende a atualização do modelo: "O trabalhador brasileiro não tem medo de trabalhar, ele está pronto para tudo. Porém com uma qualidade melhor, de saúde, de gozar um pouco mais da vida, passear um pouco mais, com a valorização do trabalhador, ele trabalha com mais alegria e produz mais", pontuou.

Especialistas em saúde mental, como o psicólogo Dr. Rodrigo Brito, reforçam que a escala 6x1 eleva os riscos de Síndrome de Burnout e transtornos de ansiedade. Segundo ele, um dia adicional de repouso pode, inclusive, reverter-se em ganho de produtividade e criatividade para as empresas. O Governo Federal deve enviar um Projeto de Lei com regime de urgência para unificar as propostas e acelerar a decisão no Legislativo.

Fonte: G1 Mato Grosso

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