Custo de vida elevado: Alimentação consome mais da metade do salário dos cuiabanos

Um levantamento detalhado realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelou um cenário desafiador para o orçamento das famílias em Cuiabá. De acordo com os dados referentes ao mês de fevereiro, os residentes da capital mato-grossense destinam, em média, 52,9% de sua remuneração mensal apenas para a aquisição de itens alimentícios básicos. O estudo analisa o impacto econômico nas 27 capitais brasileiras, evidenciando o peso da inflação de alimentos no bolso do trabalhador.
A pesquisa destaca que, em termos nacionais, um trabalhador que recebe um salário mínimo compromete cerca de 46,13% de seu rendimento líquido para garantir a cesta básica. Este cálculo já considera o desconto obrigatório de 7,5% relativo à contribuição previdenciária. No entanto, Cuiabá apresenta índices superiores à média nacional, posicionando-se como a quarta capital do país onde o comprometimento do salário com a alimentação é mais acentuado.
Além dos gastos com alimentação, o custo de vida geral em Mato Grosso também é um fator de atenção. Conforme o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o custo médio mensal para manter despesas essenciais no estado — o que inclui moradia, serviços de água e energia elétrica, além do consumo cotidiano — gira em torno de R$ 3.360. Essa pressão financeira reflete diretamente nos índices de endividamento da população local.
Outro indicador relevante apresentado pelo relatório é o tempo de trabalho necessário para suprir as necessidades alimentares. Em Cuiabá, um cidadão precisa trabalhar, em média, 107 horas e 44 minutos por mês exclusivamente para adquirir os produtos que compõem a cesta básica. Esse dado coloca a capital mato-grossense novamente na quarta posição entre as cidades onde é necessário despender mais horas de jornada laboral para garantir o sustento alimentício.
O cenário de alta nos preços e o elevado custo de vida têm gerado consequências diretas na saúde financeira das famílias. Dados complementares indicam que a inadimplência atinge seis em cada dez mato-grossenses, evidenciando que a dificuldade em equilibrar o orçamento doméstico diante das despesas básicas é um obstáculo real para a maior parte da população do estado.
Fonte: G1 Mato Grosso
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