CRM-MT investiga denúncia de venda irregular de medicamento Mounjaro em unidade de saúde da capital

CRM-MT investiga denúncia de venda irregular de medicamento Mounjaro em unidade de saúde da capital

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) deu início, nesta segunda-feira (23), a um processo de apuração para investigar uma denúncia grave envolvendo a suposta comercialização do medicamento Mounjaro por uma profissional de saúde dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cuiabá. O caso ganhou visibilidade após o relato público de uma paciente durante um evento oficial da prefeitura, gerando imediata reação das autoridades sanitárias e administrativas.

A situação ocorreu durante a entrega da reforma da Unidade de Saúde da Família (USF) no bairro Pedregal. Na ocasião, uma moradora interrompeu o discurso das autoridades para relatar sua experiência negativa. Segundo o depoimento da paciente, ao buscar atendimento para dores intensas que já duravam meses, ela teria sido abordada por uma médica que tentou vender o fármaco, associando as dores da paciente ao seu peso. "Eu cheguei lá e uma médica, dentro do consultório, tentou me vender Mounjaro porque eu estava gorda. As dores que eu estava sentindo era da obesidade. Isso é indignante", declarou a mulher durante a transmissão do evento.

Diante da gravidade do relato, o CRM-MT informou que, embora ainda não tenha recebido uma denúncia formalizada, decidiu agir de ofício para identificar a profissional mencionada e instaurar os procedimentos administrativos cabíveis. A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá também se manifestou, orientando a paciente a registrar um boletim de ocorrência e garantindo que medidas administrativas rigorosas serão tomadas caso as irregularidades sejam comprovadas.

O medicamento em questão, o Mounjaro, teve recentemente uma nova versão aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na última quarta-feira (18), foi autorizado o registro do Mounjaro Multidose, que permite múltiplas aplicações com a mesma caneta. Embora seja indicado primariamente para o tratamento de diabetes tipo 2, o fármaco também possui aprovação da Anvisa para o tratamento de obesidade desde junho do ano passado, sendo um forte concorrente de outros medicamentos da mesma categoria no mercado brasileiro. A venda direta por profissionais dentro de unidades públicas de saúde, no entanto, é estritamente proibida e configura infração ética e administrativa.

Fonte: G1 Mato Grosso

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