Crise na Saúde: Falta de insumos e dívida de R$ 8 milhões paralisam serviços em hospitais de Cuiabá

Crise na Saúde: Falta de insumos e dívida de R$ 8 milhões paralisam serviços em hospitais de Cuiabá

A saúde pública em Cuiabá enfrenta um cenário crítico após a empresa fornecedora de insumos hospitalares e serviços de enxoval suspender suas atividades no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e no Hospital São Benedito nesta quinta-feira (19). A paralisação ocorre devido a um passivo financeiro estimado em R$ 8 milhões por parte da Prefeitura Municipal, gerando um impacto imediato na realização de cirurgias eletivas e possíveis restrições em atendimentos de urgência e emergência.

A fornecedora, que detém a responsabilidade pela higienização de vestuários, fornecimento de enxovais e esterilização de instrumentos cirúrgicos, alega que a continuidade da operação tornou-se financeiramente insustentável. Segundo a empresa, a crise se agravou após o término do contrato formal em fevereiro de 2023, passando a operar por meio de reconhecimento de dívida enquanto aguarda a conclusão de uma nova licitação. O montante de R$ 8 milhões engloba faturas não quitadas de novembro e dezembro de 2024, além de janeiro e fevereiro deste ano, somadas à defasagem de preços que não foram reajustados desde o período da pandemia de Covid-19.

A companhia fundamenta a interrupção nos dispositivos legais que permitem a suspensão de serviços em casos de inadimplência do poder público. "A suspensão dos serviços foi fundamentada em dispositivos legais que autorizam a interrupção das atividades em casos de inadimplência por parte da administração pública. O impasse já foi levado a órgãos de controle, mas até o momento não há indicação de solução imediata", declarou a empresa em nota oficial.

Por outro lado, a Prefeitura de Cuiabá classifica a paralisação como uma medida "ilegal e abusiva", argumentando que a interrupção unilateral de serviços essenciais coloca em risco direto a assistência hospitalar. A gestão municipal afirma que os pagamentos da administração atual estão em fluxo regular, tendo repassado mais de R$ 5,4 milhões à empresa no último ano.

De acordo com o Executivo, as notas fiscais de janeiro de 2025 já estão processadas para pagamento em abril, enquanto as de fevereiro seguem o trâmite padrão. A prefeitura sustenta que a maior parte da dívida cobrada refere-se a períodos anteriores e a discussões judiciais sobre reajustes contratuais de exercícios passados. "É desproporcional e indevida, além de representar risco direto à assistência hospitalar e à realização de procedimentos", rebateu a administração municipal sobre a suspensão dos serviços.

Fonte: G1 Mato Grosso

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