Concluída demarcação da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo após quase três décadas de espera

Após um período de espera que se estendeu por mais de 27 anos, a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no município de Colniza, foi oficialmente concluída. A informação, confirmada pela organização Survival International nesta quinta-feira (6), marca um avanço histórico na proteção de povos originários em Mato Grosso. Com a instalação dos marcos e placas delimitadoras, o processo agora avança para sua etapa final, aguardando apenas a homologação por decreto da Presidência da República para obter validade jurídica definitiva.
O território em questão é o habitat dos Kawahiva, um povo caçador-coletor nômade que vive em isolamento voluntário. De acordo com registros históricos e indigenistas, o grupo é composto por sobreviventes de massacres e epidemias passadas, fator que motiva a decisão da comunidade de permanecer sem contato com a sociedade externa. A preservação da floresta é, portanto, uma condição vital para a subsistência e a integridade física desse grupo.
Apesar da conclusão desta etapa técnica, a região ainda enfrenta desafios significativos. A Survival International alerta que o território permanece sob constante pressão de invasores, incluindo grileiros e madeireiros. Ao longo das últimas décadas, a área foi alvo de disputas judiciais, pressões políticas e episódios de violência, como incêndios criminosos, que visavam impedir o reconhecimento oficial da terra. Entre 2008 e 2022, a Funai registrou o desmatamento de mais de 13 mil hectares dentro dos limites da reserva.
O trabalho de campo foi viabilizado pela Base de Proteção Etnoambiental Madeirinha Juruena, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com o apoio de entidades como o Centro de Trabalho Indigenista (CTI). O indigenista Jair Candor, que liderou a expedição de instalação dos marcos ao longo de dois meses, ressaltou a importância do feito: "a partir do momento que a demarcação física é implantada, ela traz mais segurança porque assim as pessoas vão começar a entender que é real, mas a guerra continua porque agora vem a homologação", afirmou.
A Funai reiterou, em nota, que a materialização dos limites em campo é um passo fundamental para a segurança jurídica do território. Contudo, organizações como a Coiab, Fepoimt e Opan reforçam que, mesmo após a futura homologação, será indispensável a manutenção de uma fiscalização estatal permanente e rigorosa para impedir novas ocupações ilegais e garantir a sobrevivência dos Kawahiva do Rio Pardo.
Fonte: G1 Mato Grosso
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