Concentração econômica impulsiona crescimento populacional em polos do agronegócio em Mato Grosso

Mato Grosso consolida sua posição como um dos estados de maior expansão demográfica no Brasil, registrando o terceiro maior crescimento populacional do país. De acordo com estimativas recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estadual saltou de 3.893.659 para 3.950.330 habitantes entre 2025 e 2026. Este movimento, contudo, não ocorre de forma uniforme, revelando uma forte concentração em polos impulsionados pelo agronegócio, logística e serviços, enquanto municípios menores enfrentam retração populacional.
Especialistas apontam que cidades como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum tornaram-se grandes polos de atração. Segundo o economista Maurício Munhoz, o crescimento nessas regiões transcende a atividade primária no campo. A agricultura de alta produtividade fomentou uma cadeia robusta que engloba transportadoras, armazéns, usinas de etanol de milho e um setor de serviços cada vez mais especializado. "Não é simplesmente crescimento do agro. É a transformação de algumas cidades do interior em polos urbanos regionais. Uma atividade alimenta a outra", explicou Munhoz.
Além do eixo produtivo, grandes centros urbanos já consolidados, como Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, mantêm sua atratividade devido à oferta concentrada de serviços essenciais, como saúde de alta complexidade, universidades e administração pública. Cidades como Tangará da Serra também se destacam como polos regionais, absorvendo a migração de moradores de municípios vizinhos que buscam melhores oportunidades de emprego e educação.
Em contrapartida, municípios como Jauru e Guiratinga registram queda no número de habitantes. O fenômeno, classificado como migração seletiva, ocorre principalmente entre o público jovem, que deixa essas localidades em busca de formação acadêmica e inserção no mercado de trabalho em centros maiores. A ausência de diversificação econômica após ciclos de mineração ou pecuária dificulta a retenção dessa mão de obra, gerando um ciclo de envelhecimento populacional e redução do mercado consumidor local.
O cenário atual impõe desafios distintos para a gestão pública: enquanto os polos em ascensão precisam expandir aceleradamente sua infraestrutura para suportar o novo contingente de moradores, as cidades em declínio necessitam de estratégias para criar novas oportunidades econômicas e reverter o esvaziamento demográfico. "As pessoas estão seguindo as oportunidades. Mato Grosso está reproduzindo internamente um fenômeno clássico das sociedades em desenvolvimento", concluiu o economista.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT