Câmara dos Deputados debate violência de gênero após denúncias de lista misógina na UFMT

Câmara dos Deputados debate violência de gênero após denúncias de lista misógina na UFMT

A Câmara dos Deputados, em Brasília, realiza nesta quarta-feira (12) uma audiência pública para debater o grave episódio envolvendo a chamada "lista de estupráveis" na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O encontro tem como objetivo central discutir estratégias de prevenção e combate à violência contra mulheres e meninas dentro das instituições de ensino superior no Brasil. O vice-reitor da UFMT, Silvano Macedo, confirmou participação no debate de forma remota.

A iniciativa da audiência partiu da deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), atual presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial. A parlamentar fundamentou o pedido com base nas denúncias ocorridas no campus de Cuiabá, onde mensagens trocadas entre alunos sugeriam um ranking misógino e intenções de assédio sexual contra calouras. Para a deputada, tais fatos evidenciam a urgência de fortalecer protocolos nacionais de enfrentamento à violência de gênero no ambiente acadêmico.

O caso, que veio a público em maio deste ano, é alvo de investigação pela Polícia Civil e também de um processo administrativo disciplinar conduzido pela UFMT. Segundo informações da universidade, os estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil envolvidos nas mensagens permanecem suspensos preventivamente e afastados de todas as dependências da instituição. "Os estudantes investigados permanecem com as medidas preventivas de afastamento adotadas pela Universidade", reiterou a administração da UFMT em nota.

Além da representação de Mato Grosso, a audiência contará com convidados da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade de Brasília (UnB), do Ministério das Mulheres e do Tribunal de Contas da União (TCU). O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) também acompanha o desdobramento das medidas internas adotadas pela universidade, tendo solicitado esclarecimentos sobre as punições e protocolos de segurança implementados após o vazamento das mensagens.

O episódio gerou forte mobilização da comunidade acadêmica e protestos estudantis, resultando, inclusive, na suspensão temporária de aulas presenciais em certos períodos para garantir a segurança das alunas. A audiência na Câmara busca agora transformar o caso em um marco para a implementação de medidas de proteção e responsabilização mais rigorosas em todo o país.

Fonte: G1 Mato Grosso

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