Câmara de Sorriso investiga 'veículo fantasma' e débitos acumulados desde 2004

A Câmara Municipal de Sorriso, em Mato Grosso, iniciou uma investigação detalhada para apurar a existência de débitos de licenciamento atrelados a um veículo oficial que nunca pertenceu à frota física da instituição. O caso, que veio à tona na última semana, envolve uma caminhonete registrada em nome do Legislativo Municipal, mas cujo paradeiro e utilização são totalmente desconhecidos pelos servidores e pela atual gestão.
De acordo com as informações fornecidas pela Casa de Leis, a descoberta das cobranças indevidas motivou a abertura imediata de um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, que agora trabalha para identificar a origem do registro e o paradeiro do automóvel. A suspeita é de que o veículo, apelidado internamente de "caminhonete fantasma", esteja gerando custos ao erário de forma irregular há duas décadas.
O levantamento preliminar aponta que as pendências financeiras remontam ao ano de 2004. Levando em conta a taxa média de licenciamento estadual, estimada em R$ 140,00 anuais, o montante acumulado da dívida já ultrapassa a marca de R$ 3 mil. A atual gestão da Câmara reforçou que o veículo em questão jamais foi visto nas dependências do órgão e que os débitos acumulados são heranças de períodos anteriores à administração vigente.
Em paralelo à atuação policial, a Procuradoria Jurídica da Câmara de Sorriso instaurou um procedimento de investigação interna para auditar os registros históricos e entender como o veículo foi cadastrado sob o CNPJ da instituição. Até o momento, o Legislativo assegura que nenhum dos valores referentes a essas dívidas foi quitado, preservando o patrimônio público enquanto o imbróglio não é resolvido.
Conforme as diretrizes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o licenciamento de frotas públicas deve seguir o mesmo rigor dos veículos particulares, com pagamentos anuais que garantem a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo eletrônico (CRLV-e). A principal distinção reside na centralização do pagamento, que ocorre por meio de guias eletrônicas emitidas pelo sistema estadual e geridas pelo órgão responsável pela frota. O caso segue sob análise para determinar se houve erro administrativo ou fraude no uso do nome da instituição.
Fonte: G1 Mato Grosso
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