Cacique Raoni é internado em Sinop após desconforto abdominal; estado de saúde é estável

O renomado líder indígena Cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, precisou suspender seus compromissos oficiais nesta quinta-feira (7) após apresentar um quadro de fortes dores abdominais. O líder foi encaminhado para uma unidade hospitalar no município de Sinop, localizado ao norte de Mato Grosso, onde permanece sob observação médica. De acordo com os boletins iniciais divulgados por sua equipe, Raoni apresenta um estado de saúde estável e está reagindo bem aos cuidados.
A principal preocupação da equipe médica e de seus familiares residia na possibilidade de complicações cardiológicas, hipótese que foi prontamente descartada após a realização de exames clínicos detalhados. Em comunicado oficial, o Instituto Raoni detalhou a situação e solicitou privacidade para a recuperação do líder: "Neste momento, pedimos respeito, compreensão e sensibilidade para que o Cacique possa receber os cuidados necessários e se recuperar com tranquilidade. Agradecemos o carinho, as orações, a solidariedade e o apoio de todos".
As investigações médicas apontaram que o desconforto abdominal está associado a uma hérnia crônica. Devido à idade avançada de Raoni, o corpo médico desaconselhou intervenções cirúrgicas, optando por um protocolo de monitoramento contínuo. O tratamento foca no controle das dores, uma vez que o deslocamento da hérnia pode pressionar órgãos adjacentes, gerando o mal-estar registrado.
Historicamente, a saúde de Raoni tem sido acompanhada de perto pela sociedade brasileira. Em 2020, o cacique enfrentou internações por complicações gastrointestinais, desidratação e pneumonia, além de ter superado um período de luto e depressão após o falecimento de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire.
Reconhecido mundialmente como um dos maiores defensores da preservação ambiental e dos direitos dos povos originários, Raoni Metuktire possui uma trajetória marcada por conquistas históricas, incluindo sua atuação fundamental na Assembleia Constituinte de 1988. Ao longo das décadas, o líder consolidou sua influência internacional, sendo recebido por chefes de Estado, como o presidente francês François Hollande e o Papa Francisco, além de ter sido agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Unemat em 2020. Sua presença marcante na rampa do Palácio do Planalto em 2023 reafirmou seu papel como símbolo da resistência e da diplomacia indígena no Brasil.
Fonte: G1 Mato Grosso
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