Bióloga de Mato Grosso vence 'Oscar da Conservação' por projeto inovador de proteção à fauna amazônica

Bióloga de Mato Grosso vence 'Oscar da Conservação' por projeto inovador de proteção à fauna amazônica

Uma iniciativa inovadora nascida em Mato Grosso conquistou reconhecimento global nesta semana. A bióloga e ecologista rodoviária Fernanda Abra foi laureada pela National Geographic Society como uma das 15 líderes mundiais a receber o prestigiado Prêmio Wayfinder 2024. A cerimônia, realizada na última quinta-feira (18), destacou o trabalho da pesquisadora no desenvolvimento de soluções científicas para reduzir o impacto das rodovias sobre a fauna silvestre, especificamente no combate ao atropelamento de animais.

O Prêmio Wayfinder é frequentemente comparado ao "Oscar da Conservação da Natureza", premiando inovadores que transformam os campos da ciência, educação e tecnologia. Com a honraria, Fernanda passa a integrar o seleto grupo de "Exploradores" da instituição, recebendo também um aporte financeiro para a continuidade de suas pesquisas. O foco da premiação foi o projeto desenvolvido em Alta Floresta (MT), que implementou pontes de dossel para permitir que primatas e outras espécies amazônicas atravessem rodovias com segurança.

Em entrevista, Fernanda explicou que a motivação surgiu ao observar que a fragmentação das florestas por estradas isolava populações de primatas. "Eles são atropelados ou então eles nem querem atravessar mais as rodovias porque não tem essa conectividade a nível do céu. Em 2019, surgiu o projeto Reconecta para instalar as pontes artificiais no céu para travessia segura deles", detalhou a bióloga. O monitoramento por câmeras já registrou diversas espécies utilizando as estruturas, como o macaco-aranha-da-cara-preta, o bugio e o mico-de-schneider.

Um dos grandes diferenciais do projeto é a viabilidade técnica e normativa. As pontes são confeccionadas com materiais industriais de alta durabilidade, resistentes a variações climáticas extremas e com design adaptado aos diferentes tipos de locomoção dos primatas. Além disso, a estrutura possui aprovação do Ministério dos Transportes, o que facilita sua implementação em rodovias federais.

Apesar do sucesso, o projeto enfrenta desafios logísticos e burocráticos, como a necessidade de coordenação com o DNIT e concessionárias de energia elétrica para garantir que as passagens aéreas não interfiram na rede elétrica. Atualmente, o Brasil conta com 39 pontes instaladas, com metas de expansão que preveem mais 48 unidades até o fim de 2025 e a internacionalização do projeto para o Suriname. "Acho que é muito importante escalar essa solução por todo Brasil", concluiu a premiada pesquisadora.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT