Autocuidado e Autoestima: A Importância do Olhar Humanizado no Tratamento Oncológico

O enfrentamento do câncer transcende a administração de fármacos e o acompanhamento clínico rigoroso, exigindo uma atenção especial à saúde emocional e à preservação da identidade do paciente. Durante o ciclo terapêutico, efeitos colaterais como a perda de cabelo e alterações dermatológicas podem impactar severamente a autoestima, especialmente entre o público feminino. Para a Dra. Najla Navarros, oncologista clínica da Oncomed-MT, o autocuidado deve ser integrado ao protocolo de tratamento como um pilar fundamental para o bem-estar.
De acordo com a especialista, dedicar atenção à própria imagem não é uma questão de vaidade, mas uma estratégia de fortalecimento físico e mental. “Cuidar de si mesma durante esse processo é uma forma de fortalecimento: físico, mental e social. Não é vaidade. É saúde emocional e qualidade de vida. Hoje entendemos que tratar o câncer é cuidar da pessoa como um todo”, afirma a médica. A queda capilar, um dos sintomas mais sensíveis, ocorre devido à ação dos quimioterápicos nas células de rápida divisão. Nestes casos, o suporte emocional prévio e tecnologias como a touca de crioterapia podem ser alternativas para mitigar o impacto.
No que tange aos procedimentos estéticos, a cautela é a regra de ouro. Durante a fase ativa do tratamento, recomenda-se evitar intervenções químicas agressivas no cabelo, como alisamentos e descolorações. Nas unhas, que tendem a ficar mais frágeis, o uso de alongamentos em gel ou fibra é contraindicado devido ao risco de infecções e à dificuldade de monitorar inflamações sob o material. “É recomendado evitar retirar cutículas de forma agressiva. E é fundamental utilizar materiais esterilizados em serviços de manicure”, orienta a oncologista.
A maquiagem é permitida, desde que com produtos hipoalergênicos e higienização rigorosa de pincéis, mas procedimentos invasivos como micropigmentação e peelings profundos devem ser evitados. Outro ponto de atenção crucial é a realização de preenchimentos ou bioestimuladores; tais materiais podem interferir na interpretação de exames de imagem como PET-CT e ressonância magnética. Portanto, qualquer intervenção estética deve ser previamente validada pela equipe médica para garantir que o cuidado com a aparência caminhe lado a lado com a segurança clínica.
Fonte: G1 Mato Grosso
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