Ataque de lagarto a trabalhador em Rondonópolis serve de alerta sobre os riscos da interação com animais silvestres

Ataque de lagarto a trabalhador em Rondonópolis serve de alerta sobre os riscos da interação com animais silvestres

Um incidente envolvendo um trabalhador e um lagarto teiú em Rondonópolis acendeu um alerta entre especialistas sobre a interação humana com a fauna silvestre. Após tentar refrescar o réptil oferecendo água, o homem foi atacado pelo animal, resultando na perda de parte de um dos dedos. O caso, registrado na última terça-feira (9), destaca os perigos de subestimar os instintos de defesa de espécies nativas, mesmo quando a intenção humana é de auxílio.

Imagens do ocorrido mostram o momento em que a vítima se aproxima do lagarto portando uma garrafa de água. O animal, sentindo-se ameaçado pela proximidade, reagiu prontamente com uma mordida potente. O trabalhador precisou ser submetido a uma intervenção cirúrgica em uma unidade hospitalar local, recebendo alta após o procedimento.

Biólogos explicam que o comportamento do teiú é pautado pelo instinto de sobrevivência. Segundo o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto Silva, trata-se de um predador de grande porte com comportamento defensivo acentuado. "Ele nunca vai entender que está sendo ajudado. Muitas pessoas acabam correndo atrás do teiú ou tentando tocá-lo. Em um primeiro momento ele tenta escapar, mas, se for pressionado, pode correr atrás e morder. É um comportamento relativamente comum. E a mordida é muito forte", esclareceu o especialista.

Além do risco físico, a prática de alimentar ou oferecer água a animais silvestres fere a legislação brasileira. O guia de turismo e biólogo Marcos Ardevino pontua que a Lei Ambiental Federal nº 9.605/1998 proíbe tal intervenção. "Muitas pessoas se sensibilizam e querem ajudar, mas esses animais não precisam desse tipo de intervenção. A exceção seria uma situação extrema, como um incêndio florestal. Fora isso, não há motivo para oferecer água ou comida", afirmou Ardevino, reforçando que os animais obtêm nutrientes e hidratação de forma autônoma na natureza.

A recomendação das autoridades ambientais é clara: a observação da fauna deve ser feita sempre à distância. Caso um animal seja encontrado ferido ou em situação de risco, a orientação é não intervir diretamente e acionar imediatamente os órgãos competentes para o resgate técnico. Especialistas reiteram que répteis não desenvolvem vínculos afetivos e interpretam qualquer aproximação como uma potencial ameaça, tornando ataques como este uma resposta natural da espécie ao estresse provocado pela presença humana.

Fonte: G1 Mato Grosso

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