Apreensões de ouro ilegal no Brasil superam 500 kg em cinco anos com intensificação da fiscalização na Amazônia

As apreensões de ouro ilegal no Brasil registraram um crescimento expressivo nos últimos cinco anos, totalizando mais de meia tonelada de minério interceptada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Entre 2021 e 2025, foram retirados de circulação ao menos 503,26 kg de ouro de origem ilícita. O estado de Roraima consolidou-se como o principal epicentro dessas operações recentemente, registrando um salto de 1,3 kg apreendidos em 2023 para impressionantes 163,69 kg apenas nos primeiros meses de 2025.
De acordo com o diretor de Operações da PRF, Marcus Vinicius de Almeida, o aumento nos números é reflexo da intensificação da fiscalização por meio do plano "Amazônia: Segurança e Soberania", iniciado em 2023. A estratégia foca no combate a crimes ambientais e no reforço da inteligência em rotas estratégicas de escoamento. "A gente acredita que Roraima é rota de saída do ouro no país. Seria uma 'rota mais fácil' para esquentar o ouro lá fora", explicou o diretor.
A Polícia Federal corrobora essa análise, indicando que a localização geográfica de Roraima, na fronteira com a Guiana e a Venezuela, atrai organizações criminosas que buscam mercados onde a comercialização do minério é permitida. O delegado da PF em Roraima, Caio Luchini, ressaltou que grande parte do ouro apreendido no estado não é extraída localmente, mas trazida de outras regiões da Amazônia. Segundo Luchini, os criminosos utilizam rodovias como a BR-401 e a BR-174, muitas vezes simulando viagens em família para tentar burlar os bloqueios policiais.
Historicamente, o levantamento da PRF aponta oscilações nos estados com maior volume de apreensões. Em 2021, o Mato Grosso liderou o ranking nacional com 27,7 kg interceptados. Já em 2022, Minas Gerais concentrou a maior parte das apreensões, com 120 kg. A partir de 2024, o cenário voltou-se drasticamente para o Norte do país.
Especialistas e autoridades destacam que o fim da "presunção de boa-fé" no comércio de ouro, determinado pelo STF em 2023, foi um marco fundamental para o aumento do rigor fiscal. O procurador da República André Porreca enfatiza que o garimpo ilegal envolve uma rede complexa que inclui lavagem de dinheiro e logística sofisticada. Todo o material apreendido é encaminhado ao Instituto Nacional de Criminalística da PF para perícia no projeto "Ouro Alvo", que identifica a origem exata do minério por meio de sua composição química.
Fonte: G1 Mato Grosso
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