Alta histórica do ouro no mercado internacional intensifica pressão sobre garimpos ilegais em Mato Grosso

Alta histórica do ouro no mercado internacional intensifica pressão sobre garimpos ilegais em Mato Grosso

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio provocou uma valorização histórica no preço do ouro, atingindo patamares superiores a US$ 5 mil por onça. Esse cenário econômico global tem gerado reflexos diretos em Mato Grosso, especificamente na Terra Indígena Sararé, onde a alta do metal precioso intensificou a cobiça de garimpeiros ilegais e colocou as forças de segurança em estado de alerta máximo. Operações recentes já resultaram na detenção de dezenas de suspeitos e na destruição de maquinários pesados utilizados na extração clandestina.

A euforia entre os invasores foi confirmada por áudios obtidos por investigadores, nos quais garimpeiros celebram a valorização do ativo. "O negócio é celebrar. Ficar quietinho. Deixa os homens fazerem o serviço deles e ir embora. Negócio é ficar de boa, que o ouro está bom de preço", afirma um dos trechos. A região, alvo de disputas e dominada por organizações criminosas, enfrenta uma pressão ambiental severa, sendo considerada uma das áreas mais devastadas da Amazônia Legal.

Desde a última quarta-feira (25), o Exército Brasileiro, em conjunto com órgãos de fiscalização como o Ibama e a Polícia Federal, atua na região para desarticular os acampamentos. Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe de operações da PF no território, explica que o recorde histórico do ouro atua como um imã para a criminalidade. "O ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé", pontuou.

Especialistas em economia e relações internacionais destacam que a busca pelo ouro como "porto seguro" se intensificou não apenas pelos conflitos bélicos, mas também pelas incertezas no mercado financeiro global e a flutuação do dólar. Livio Ribeiro, pesquisador do FGV-IBRE, ressalta que o ambiente de incerteza alimenta a demanda por proteção. "Nada sugere que isso vai reverter, ainda que a gente possa ter oscilações", afirma.

Apesar do cenário desafiador, o Ibama registrou uma queda de 20% na área garimpada ilegalmente na Sararé na comparação anual. O governo federal trabalha agora na finalização de um plano estratégico para a desocupação definitiva da reserva, visando conter os danos ambientais e sociais causados pelo avanço da mineração irregular motivada pela economia internacional.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT