A conquista do voto: Eleitores de Mato Grosso relembram trajetória de redemocratização e o legado de Dante de Oliveira

A conquista do voto: Eleitores de Mato Grosso relembram trajetória de redemocratização e o legado de Dante de Oliveira

A trajetória da democracia brasileira e o valor do voto direto são temas que ressoam profundamente entre os eleitores de Mato Grosso que vivenciaram o período da ditadura militar (1964-1985). Para muitos cidadãos que hoje comparecem às urnas, o direito de escolher o Presidente da República foi uma conquista tardia, consolidada apenas em 1989, após 21 anos de suspensão das eleições diretas para o cargo máximo do Executivo nacional. Relatos de moradores do estado destacam que a primeira oportunidade de votar para presidente ocorreu apenas após os 27 anos de idade, evidenciando o longo hiato democrático enfrentado pelo país.

A cineasta Maria de Fátima Rodrigues, de 71 anos, exemplifica essa transição. Residente em Mato Grosso desde a década de 1970, ela votou para presidente pela primeira vez aos 35 anos. Maria de Fátima recorda que, durante o regime, a participação feminina era frequentemente eclipsada por uma estrutura social patriarcal. Sua consciência política amadureceu com a promulgação da Constituição de 1988, que ela descreve como o "leque de oportunidades de pensamento" que permitiu a autonomia de escolha. Em 1981, ela foi pioneira ao ser a primeira candidata a vereadora em Nova Xavantina, abrindo caminhos para o protagonismo feminino na política regional.

O médico-veterinário Marco Assumpção, de 70 anos, também compartilha da memória de um tempo de liberdades restritas. Ele exerceu o direito ao voto presidencial pela primeira vez aos 33 anos e enfatiza que a redemocratização foi fruto de intensa mobilização popular. "O ato de votar é o mais importante de todos, é o nosso futuro", afirma Marco, reforçando que, mesmo com a faculdade do voto após os 70 anos, pretende continuar participando ativamente do processo eleitoral.

O papel de Mato Grosso foi central na luta pelo restabelecimento do voto direto através da figura do então deputado federal Dante de Oliveira. Natural de Cuiabá, Dante foi o autor da emenda constitucional que deu origem ao movimento "Diretas Já". Embora a emenda tenha sido rejeitada em 1984 por falta de quórum no Congresso Nacional, a mobilização social que ela gerou foi o alicerce para a redemocratização plena.

Para o jornalista e professor Edson Spenthof, de 64 anos, que votou para presidente pela primeira vez aos 27 anos, a democracia é um regime que exige defesa diária. Ele destaca que, embora a política ocorra cotidianamente em diversas esferas, o direito ao voto é a base fundamental sem a qual não existem direitos fundamentais. Atualmente, Mato Grosso conta com cerca de 2,6 milhões de eleitores aptos a exercer esse direito, mantendo viva a memória das lutas que garantiram a soberania popular nas urnas.

Fonte: G1 Mato Grosso

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